Depois da entrega das chaves, a sustentabilidade de um imóvel se mede no conforto dos ambientes e no consumo de energia e de água, e ela depende tanto do que o projeto entregou quanto do uso e da manutenção do dia a dia. O manual do proprietário, a ventilação e a sombra usadas de acordo com o clima da cidade, os equipamentos escolhidos para o apartamento e a gestão das áreas comuns definem quanto do que foi planejado chega à rotina de quem mora.
Na prática, os primeiros cuidados são estes:
- ler o manual de uso, operação e manutenção e seguir as manutenções que ele indica;
- ventilar e sombrear o apartamento de acordo com o clima e a estação;
- preferir equipamentos com Selo Procel;
- acompanhar a leitura do hidrômetro da unidade;
- levar à assembleia do condomínio os temas de energia e água das áreas comuns.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) resumiu essa ideia ao lançar, em novembro de 2025, a nova versão do seu guia para manuais de uso. Nas palavras do presidente da entidade, Renato Correia, “a vida útil de uma edificação depende não apenas de como foi projetada e construída, mas também do uso correto e de uma manutenção preventiva eficiente”.
O que o manual do proprietário tem a ver com a sustentabilidade no imóvel?
O manual de uso, operação e manutenção é o documento que a construtora elabora para o proprietário e para quem usa o imóvel. Pelo guia da CBIC, um mesmo prédio pode ter dois manuais: um voltado ao proprietário da unidade e outro ao responsável legal pelas áreas comuns. A edição de 2025 do guia incorpora, entre outras atualizações, as revisões feitas em 2024 nas normas ABNT NBR 5674, de manutenção de edificações, NBR 14037, que trata dos próprios manuais, e NBR 15575-1, da norma de desempenho.
A garantia anda junto com a manutenção. A ABNT NBR 17170, publicada em 2022, traz prazos recomendados de garantia para mais de 180 processos ou itens que compõem o imóvel e indica situações que podem levar à perda da garantia. Ler o manual logo depois da entrega, seguir as manutenções que ele indica e guardar o registro dos serviços feitos ajuda a preservar o desempenho do apartamento e a garantia.
Como usar ventilação e sombra a favor do conforto?
Em Foz do Iguaçu, o clima pede um apartamento que funcione bem no calor e no frio. Na plataforma ProjetEEE, do Ministério de Minas e Energia, os dados climáticos do INMET para a cidade indicam 40% do ano em desconforto por calor, 40% em desconforto por frio e 20% em conforto térmico. As três estratégias bioclimáticas de maior aplicabilidade em Foz são ventilação natural, inércia térmica para aquecimento e sombreamento, e cada uma pesa mais em uma época do ano.
A ventilação natural tem aplicabilidade média de 34% na cidade, que sobe para 56% no verão e para 50% no período da noite. Na ventilação cruzada, as aberturas ficam em zonas de pressão oposta, e o ar que atravessa o ambiente acelera a remoção do calor e contribui para melhorar a sensação térmica de quem está dentro. Abrir janelas em lados opostos do apartamento nas noites de verão aproveita o período em que a estratégia mais se aplica. O ProjetEEE lembra ainda que o calor gerado dentro de casa pesa no desempenho de um ambiente ventilado naturalmente.
O sombreamento chega a 27% de aplicabilidade no verão, concentrado nas manhãs e nas tardes. Segundo a plataforma, uma proteção solar bem projetada evita os ganhos de sol nos períodos mais quentes do dia e do ano, sem bloqueá-los no inverno e sem prejudicar a luz natural. Cortinas e persianas fechadas nas horas de sol forte do verão e abertas nos dias frios seguem essa lógica.
No inverno, a estratégia de maior peso é a inércia térmica para aquecimento, com 57% de aplicabilidade na estação e 45% na madrugada. Componentes de alta inércia funcionam, na descrição do ProjetEEE, como “uma espécie de bateria térmica”: no inverno, se bem orientados, podem armazenar calor para liberá-lo à noite.
No Litoral Norte de Santa Catarina, em Penha, Balneário Piçarras e Barra Velha, vale o mesmo cuidado de olhar para cada apartamento. Segundo o ProjetEEE, a ventilação natural deve considerar o clima local e o vento, que varia com o relevo e com as construções vizinhas. A posição das janelas de cada unidade em relação ao sol e ao vento orienta como ventilar e sombrear.
Onde a energia entra nessa conta?
A ventilação cruzada aparece na cartilha do Ministério de Minas e Energia sobre eficiência em edificações como forma de reduzir o uso do ar-condicionado. A mesma cartilha lembra que equipamentos como geladeiras e aparelhos de ar-condicionado já têm regras de eficiência no Brasil e recomenda preferir os que têm Selo Procel. Na hora de equipar o apartamento, a escolha desses aparelhos é uma decisão que fica com o morador.
Nas áreas comuns, a decisão é do condomínio. A Lei 14.300/2022, o marco legal da micro e minigeração distribuída, prevê o empreendimento com múltiplas unidades consumidoras, em que as instalações das áreas de uso comum, às quais se conecta a geração, formam uma unidade consumidora distinta, sob responsabilidade do condomínio, da administração ou do proprietário do empreendimento. A mesma lei prevê a geração compartilhada, que pode reunir consumidores por meio de condomínio edilício. São caminhos que a assembleia pode estudar com apoio técnico.
E a água?
A Lei 13.312/2016, em vigor desde 2021, determina que as novas edificações condominiais adotem padrões de sustentabilidade ambiental que incluam a medição individualizada do consumo de água por unidade imobiliária. Depois das chaves, acompanhar a leitura do hidrômetro do apartamento é o jeito direto de conhecer o próprio consumo.
No condomínio, a água entra nas certificações de sustentabilidade. O GBC Condomínio, do Green Building Council Brasil, orienta o empreendimento desde o projeto até a operação, e a versão 3 inclui a resiliência hídrica, com estratégias integradas de medição, redução, fontes alternativas e drenagem.
O que muda para os próximos lançamentos?
A eficiência energética das edificações ganhou calendário. A Resolução CGIEE nº 4, publicada no Diário Oficial da União em 30 de setembro de 2025 e retificada no dia seguinte, define índices mínimos de eficiência energética para edificações a serem construídas. Nas residenciais de municípios com mais de 100 mil habitantes, como Foz do Iguaçu, o mínimo equivale ao nível C da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) a partir de 1º de janeiro de 2030. Nos municípios com mais de 50 mil habitantes, o mesmo nível passa a valer em 1º de janeiro de 2040.
A regra alcança os projetos protocolados para alvará a partir dessas datas, e as prefeituras passam a exigir as etiquetas para emitir o alvará de construção e o certificado de conclusão da obra. Nas residenciais, o nível C pode ser comprovado por autodeclaração, com ART ou RRT, e equivale ao atendimento dos requisitos mínimos de desempenho térmico das normas da ABNT. Quem alcança o nível A geral da ENCE pode receber o Selo Procel Edificações.
Como a Sol Imóveis pode ajudar?
A Sol Imóveis atua em Foz do Iguaçu desde 1990 e no Litoral Norte de Santa Catarina, em Penha, Balneário Piçarras e Barra Velha, desde 2022. Se você vai comprar, alugar ou investir em um imóvel em uma dessas praças, fale com a Sol: veja os imóveis de Foz do Iguaçu e do Litoral Norte de SC no site e chame a nossa equipe pelo WhatsApp.
Fontes: CBIC, guia de manuais (2025) · CBIC, NBR 17170 · IBAPE · ProjetEEE · Ministério de Minas e Energia · Resolução CGIEE nº 4/2025 · Lei 14.300/2022 · Lei 13.312/2016 · GBC Brasil




